A Tecnocom e a Analistas Financieros Internacionales, Afi, apresentaram em Madrid o Relatório Tecnocom sobre Tendências em Meios de Pagamento 2011, um estudo pioneiro encomendado à Afi e à The Cocktail Analysis, no qual se faz uma análise da evolução dos meios de pagamento durante o ano de 2011 em Espanha e em seis países da América Latina (Brasil, Chile, Colômbia, México, Peru e República Dominicana).
A apresentação do estudo foi presidida por Ladislao Azcona, Presidente da Tecnocom, e contou com a presença de Javier Rey, Director Geral do Sector de Banca e Seguros da Tecnocom, Emílio Ontiveros, Presidente da Afi, Álvaro Martín, Director do Departamento Internacional da Afi e Javier Martín, CEO da Tecnocom.
Este relatório pretende ser o ponto de referência da situação dos meios de pagamento em Espanha e na América Latina, dado que cada ano irá acompanhar a sua evolução. Este relatório também pretende lançar as bases para se conhecerem as oportunidades e desafios específicos apresentados ao sector a partir de 2012.
A indústria dos meios de pagamento está a viver mudanças muito relevantes
As empresas do sector dos meios de pagamento têm enfrentado novos desafios resultantes da evolução das preferências dos consumidores, da crescente concorrência, do surgimento de novos concorrentes não tradicionais (operadores móveis, empresas de Internet e comércio), das inovações tecnológicas e das mudanças do sistema regulador.
Uma das mudanças mais comentadas pelos executivos entrevistados para a realização deste relatório é a adopção do EMV (Europay, MasterCard, Visa) nos cartões de pagamento. Estes cartões, para além de serem mais seguros, permitem incorporar outros serviços de valor acrescentado, como as aplicações de fidelização e vinculação de clientes através de programas de recompensas.
Embora as economias analisadas continuem a demonstrar uma forte dependência do numerário, observa-se uma substituição gradual dos meios de pagamento em papel (numerário e cheque) pelos electrónicos. Enquanto que o cheque regista uma tendência claramente decrescente na América Latina, os cartões estão em clara ascensão e são o meio de pagamento (a seguir ao numerário) preferido, uma vez que são utilizados em cerca de metade das transacções. Neste contexto, o número de cartões em circulação nos países latino-americanos analisados não pára de crescer devido, entre outros factores, ao bom comportamento da economia, às campanhas de divulgação, ao crescimento da banca e à expansão da infraestrutura física dos pontos de acesso (ATM e POS). Em Espanha, pelo contrário, desapareceram quase 5 milhões de cartões nos últimos dois anos, devido à necessidade dos utilizadores controlarem os seus gastos e a consequente redução dos cartões como uma das vias para o conseguir, e porque o sector financeiro aproveitou para não reemitir cartões inactivos aquando da migração dos tradicionais cartões magnéticos para cartões com chip EMV.
Recentemente tem-se avançado com numerosos projectos-piloto relacionados com pagamentos através de telemóveis
Sem dúvida, o meio de pagamento por telemóvel é a tecnologia do futuro no qual a indústria está a apostar. Prova disso são os inúmeros projectos-piloto que têm sido desenvolvidos relacionados com os meios de pagamento através de telemóvel. È necessário destacar que, por agora, a maior parte dos avanços têm tido lugar nos extremos da cadeia de valor, com inovações na emissão e aquisição dos pagamentos, embora o potencial máximo seja obtido quando se utiliza como gerador de procura e elemento de fidelização.
Na América Latina o Mobile Banking tem o potencial de vir a converter-se num dos meios de pagamento mais populares, dada a grande penetração do telemóvel no mercado latino-americano. Contudo, de momento, existem apenas poucos serviços dirigidos a segmentos da população sem conta no banco.
O indicador Tecnocom permite comparar directamente o nível de desenvolvimento dos meios de pagamentos electrónicos dos países analisados
Na perspectiva dos consumidores, a realidade dos meios de pagamento em Espanha e nos países da América Latina é muito distinta, sendo que cada país apresenta a sua trajectória. Os países analisados apresentam níveis distintos de banca, penetração de mercado e utilização de meios de pagamento. Também existem diferenças nas preferências entre o pagamento imediato e o pagamento a crédito, o uso de canais, a penetração da compra online, e o interesse pelo pagamento através do telemóvel.
Com o objectivo de estabelecer uma medida que permita a comparação directa entre o nível de desenvolvimento dos meios de pagamento electrónicos nos países analisados, desenvolveu-se o Indicador Tecnocom, um indicador sintético que agrupa as variáveis penetração de mercado e uso mensal de meios de pagamento electrónicos, pagamento por telemóvel e compra online. Os países com maior pontuação são Espanha e Brasil (mais de 70 pontos em 100) embora ainda haja margem para o desenvolvimento dos pagamentos electrónicos (em banca online, móvel, e intensificação do pagamento com cartões). O Chile, a Colômbia e o México obtêm uma pontuação média (acima de 40 pontos), enquanto o Peru e a República Dominicana têm os resultados mais baixos, dado que os meios de pagamento alcançaram uma menor penetração do mercado.